artigo - Inteligência Competitiva, aquecimento global e as empresas
por Alfredo Passos
Um dos brasileiros integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Ipcc, disse à Rádio ONU, nesta semana, que a premiação do Nobel ao grupo ajudará a diminuir o ceticismo sobre os efeitos do aquecimento global.O coordenador de grupo do último relatório do Ipcc, e professor da Fiocruz, Ulisses Confalonieri, disse à Rádio ONU que, o que ele chamou de lobistas são rápidos em criticar as conclusões dos cientistas.
"Cada vez, cada ano, cada relatório que passa, cada quinqüênio, o documento fica mais sólido, tem mais evidência. Mas sempre tem os chamados céticos e detratores, os lobistas que atacam na mídia etc. A outra questão é que facilita a adesão de novos pesquisadores ao tema de mudança climática, novos finaciamentos, isto é muito bom", contou.
O Prêmio Nobel da Paz deste ano foi dividido com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Ele é autor do documentário "Uma Verdade Inconveniente" sobre mudanças climáticas.
Para o brasileiro, integrante do Ipcc, a mensagem de combate ao efeito estufa é urgente e deve ser direcionada a todos. Confalonieri citou o caso das queimadas na Amazônia.
"Cerca de 75% das emissões de gás carbono, no Brasil, são por queima de biomassa, floresta, agricultura. Um índio, um agricultor da Amazônia, vai cortar um hectare, ou dois, para plantar a roça dele. Agora uma empresa gigantesca, multinacional, ir à Amazônia e desmatar 1 mil hectares. Por que eles tem que pôr fogo? Eles têm dinheiro e tecnologia para não usar fogo. Eles podem usar tecnologias que não queimam carbono", disse.
Numa mensagem após o anúncio do Nobel da Paz deste ano, o Secretário-Geral, Ban Ki-moon, disse que a concessão do prêmio reconhece o papel da ONU como fórum para o alcance de um acordo sobre o tema.
Diante da crescente discussão deste tema, os profissionais de Inteligência Competitiva precisam acompanhar cada vez mais de perto estas discussões e os impactos nas empresas. Ficar próximo da equipe de meio-ambiente, segurança e qualidade, será cada vez mais necessário para não só entender os procedimentos atuais da empresa, mas principalmente poder discutir tendências e ações de concorrentes frente ao tema.
Finalizando, vale lembrar as palavras de Leonard Fuld em The Secret Language of Competitive Intelligence (Inteligência Competitiva, Elsevier 2007) "a linguagem secreta da inteligência competitiva está baseada em dois alicerces. O primeiro é a habilidade de encontrar a correta informação a respeito da competitividade. O segundo, e mais crítico, é a habilidade de enxergar as disrupções antigas de mercado e imparcialmente interpretar os eventos".
Alfredo Passos é Partner da KMC, Professor ESPM, autor dos livros "Inteligência Competitiva - Como fazer IC acontecer na sua empresa" e "E a concorrência... não levou! - Inteligência Competitiva para gerar novos negócios empresariais", ambos editados pela LCTE Editora.
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