artigo - O valor do conhecimento
por Eduardo Massami Kasse
O mercado mudou radicalmente na última década, principalmente o tecnológico. A pirataria, a imensa oferta de serviços gratuitos e os conteúdos colaborativos foram os fatores decisivos para essa nova realidade. As pessoas deixaram de ser expectadores e passaram a ser criadores.Nos anos de 1980 e início da década 1990, a cultura de massa era a base da sociedade devido às exposições da televisão e do rádio. Por se tratar de mídias caras, não havia a possibilidade dos "pequenos" apresentarem seus trabalhos, produtos e idéias ao grande público.
Era trabalhoso encontrar essas "variedades específicas". Era algo restrito, principalmente se fosse uma busca cultural ou ideológica. Muitas vezes não havia o interesse pela abertura de determinado nicho para a sociedade, pois se isso ocorresse, deixaria de ser cult.
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Com a internet, essa situação se inverteu. É possível encontrar informações sobre quaisquer assuntos e também se tornar um disseminador de conteúdos. O indivíduo passou ter voz ativa, podendo sair da sombra das grandes corporações. O fenômeno dos blogs e da Wikipedia confirma isso.
Independente do lucro financeiro, muitos buscam a "fama" ou mesmo uma maneira de expressar sentimentos, idéias, devaneios. Querem dizer ao mundo: Ei, eu existo e preciso ser ouvido! Os adolescentes estão intrinsecamente ligados a essa necessidade. É a cultura das "chefes de torcida" e do "capitão do time de futebol" nas escolas americanas.
A mídia e as empresas ainda conseguem definir os modismos, mas a influência do indivíduo é cada vez maior. É mais fácil "abraçar uma causa" em sintonia com a realidade pessoal. As comunidades do Orkut e as visualizações no YouTube são exemplos dessa idéia.
Outra forte tendência é a gratuidade. Não é difícil encontrar aquilo que se deseja na web, seja de forma legal como os downloads freeware ou ilegal. Então fica a pergunta: É possível ganhar dinheiro nesse novo modelo?
Que se faça luz!
Há algumas décadas, as gravadoras e produtoras lucravam cifras astronômicas com a venda de CDs e DVDs. Hoje, os grandes hits são baixados antes mesmo de serem lançados "oficialmente". O filme Tropa de Elite "vazou" e mesmo assim foi um sucesso de bilheteria. Seria jogada de marketing?
Não adianta brigar com esse novo modelo. É preciso se atualizar e buscar novas alternativas, analisar os diversos cenários e adentrar nas entrelinhas. Estamos em constante processo de evolução. Com os negócios é igual: sobrevivem os melhores adaptados ao meio.
Mas, ainda fica a pergunta: É possível ganhar dinheiro no mercado atual? Sim. E a chave do sucesso é seguramente o conhecimento. Plantar cana-de-açúcar qualquer um consegue, agora, só conseguem gerar etanol aqueles com conhecimento adequado.
As empresas de telefonia celular oferecem aparelhos gratuitamente para os clientes que fizerem planos de fidelidade. O planejamento e a análise de mercado foram vitais para conseguir isso. Todos custos com o "presente" são cobertos ao longo prazo de permanência na operadora. Não existe milagre!
Outro exemplo são as empresas de hospedagem de sites. Muitas oferecem templates (modelos) gratuitos e sistemas de criação passo-a-passo, com os quais qualquer usuário, mesmo leigo, pode criar seu "site". Agora se esse precisar de um projeto mais complexo e completo, com identidade visual exclusiva? Deverá contratar um profissional especializado. É a remuneração do conhecimento, não do "produto" em si.
Os artigos, em sua grande maioria, são reproduzidos sem custos (remuneração ao autor) nos portais e jornais. Contudo, aqueles que ministram palestras, sobre os mesmos assuntos, recebem por isso. A apresentação pode ser considerada um commodity, pelo tempo gasto, locomoção, etc.
Não é hora de lamentar. É hora de realizar. Aprender e empreender. O dinheiro existe – e em grande quantidade - e não fica parado. Portanto, o segredo é apontar para a direção correta.
Eduardo Massami Kasse é estrategista on-line, desenvolvedor web, escritor e Diretor Geral da empresa ON-LINE Planets.
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